Sabemos que a educação é a base para o exercício da cidadania. Por isso, promovemos desde 1991 ações para que todas as crianças e adolescentes do Brasil tenham acesso a uma educação pública de qualidade.

Em 2016, quando anunciamos a mudança em nosso foco de trabalho e um último ciclo de investimentos nos programas de Educação, sabíamos da importância de preservar nosso legado e o conhecimento que acumulamos nos últimos 26 anos.

A palavra “legado” é proveniente do latim legatum, que, por sua vez, deriva-se do verbo legare, ou delegar. É a arte de transmitir seu conhecimento e confiar sua missão às gerações que se seguem. Esse é o desafio ao qual nos propomos: pavimentar o caminho e fortalecer nossos atuais parceiros e agendas conectadas aos programas de Educação para que deem continuidade ao trabalho iniciado em conjunto.

Nesta seção

  • 7.1

    Novos rumos da educação

    Katilene Lourenço Domingos fala sobre como o Paralapracá trouxe um novo olhar para a educação infantil em Maracanaú, no Ceará.

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    Paulo Leite
  • 7.2

    A democracia das letras

    Julio Ludemir compartilha a história da Festa Literária das Periferias (Flupp), que incentiva a leitura em comunidades do Rio de Janeiro.

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    Tomaz Silva/ Agência Brasil
  • 7.3

    Atuando em rede

    O último ciclo do programa Redes e Alianças passou por uma avaliação externa que identificou aprendizados a serem compartilhados com os novos programas globais do Instituto C&A.

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    Paulo Leite
Valor do apoio: R$ 1,4 milhão (12 meses)
7.1

Novos rumos
da educação

O Paralapracá, programa realizado em parceria com a Avante – Educação e Mobilização Social, foi lançado em 2010 para promover o direito a uma escola equitativa, plural e acolhedora para qualquer criança. Participante da iniciativa, Katilene nos contou como tem sido sua experiência com a frente de formação de profissionais.

Antes do Paralapracá, tínhamos um modelo tradicional de ensino: dentro da sala de aula, com lições em cartilhas e atividades pré-organizadas. Com o programa, colocamos o aluno no centro do aprendizado, ouvimos muito o que ele tinha a dizer e nos conectamos com suas escolhas e vivências.

Para essa reviravolta, foi preciso capacitar os professores para que eles tivessem esse olhar diferente, o que foi muito desafiador. Mas, com o desenrolar da iniciativa, eles compraram a ideia. Tivemos uma nova visão sobre a linguagem da infância, a utilização da nossa cultura local nas aulas e a importância do brincar, da música e de tantas outras questões que fazem parte do universo lúdico infantil. Extrapolamos os muros da escola e passamos a ensinar em praças, postos de saúde, cachoeiras e quaisquer outros locais que nos trouxessem oportunidades de desenvolvimento para as crianças.

Hoje, percebo que as crianças estão construindo a própria história. Elas são as protagonistas do aprendizado e estão cada vez mais independentes. E tudo isso se refletiu no comportamento, no rendimento escolar e no relacionamento delas com a família. O Paralapracá envolve toda a comunidade; por isso, sempre digo que esse é um sonho que está sendo vivido por todos nós.

Um sonho que compartilhamos com os demais educadores e professores conectados ao Paralapracá por meio do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). É lá que, além de aprendermos com as ações desenvolvidas por outros municípios, socializamos as práticas formativas que desenvolvemos em Maracanaú para que possam inspirar nossos colegas.

Valor investido na parceria:

R$ 0,0 milhão

durante

0
meses

(2016-2017)

O programa Paralapracá é uma frente de formação de profissionais da educação infantil realizado pela Avante – Educação e Mobilização Social e pelo Instituto C&A. Busca apoiar as redes municipais no aprimoramento da qualidade da educação infantil, tendo como referência as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), de 2009.

Em 2015, o Paralapracá tornou-se metodologia consagrada pelo Guia de Tecnologias Educacionais do Ministério da Educação (MEC). Isso significa o reconhecimento de que o programa produz resultados significativos para a melhoria da educação infantil e pode ser levado para qualquer município brasileiro.

A partir de 2018, como parte do plano de transição do Instituto C&A e por acreditarmos na competência técnica e mobilizadora de nossa parceira, a Avante assumirá a liderança integral da iniciativa.

Resultados

0
.
0

crianças impactadas positivamente pelo Programa

0
.
0

profissionais de educação fizeram parte do projeto

0

municípios estão no segundo ciclo do projeto (2015-2018): Camaçari (BA), Maceió (AL), Maracanaú (CE), Natal (RN) e Olinda (PE)

Valor do apoio:: R$ 60 mil (6 meses)
7.2

A democracia
das letras

A Festa Literária das Periferias (Flupp) é um movimento que promove a produção literária de qualidade, destacando novos autores e incentivando a cultura da leitura nas periferias cariocas. Confira, pela ótica de Julio, um pouco dessa história, que foi apoiada pelo Instituto C&A quando ainda era uma ideia.

Eu e Ecio nos conhecemos na Secretaria de Cultura de Nova Iguaçu (RJ). Ambos já trabalhávamos com cultura em comunidades cariocas e estávamos percebendo um movimento fervilhante de leitores e autores nas periferias de todo o País. Toda essa agitação colocava esse público no seu lugar de direito, no centro das atenções, e não mais marginalizado. Eram em sua maioria jovens pobres e negros que ingressaram nas universidades por meio do sistema de cotas. Todos em plena ebulição. Naquele mesmo ano de 2011, fui à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), encontrei alguns desses jovens cariocas e pensei “eles também precisam de algo assim lá no Rio”. Foi nesse cenário que identificamos a necessidade de criar uma plataforma para articular, disseminar e dar visibilidade a esses novos atores, que estavam inventando novos caminhos de acesso e produção literária. Era o nascimento da Flupp, um projeto criado para promover intercâmbios entre autores e leitores de diferentes partes do Brasil e do mundo.

Filipe Marques

Em 2012, na primeira edição, já ficamos muito impressionados com a bagagem dos frequentadores da festa. Confirmamos o que intuíamos, encontrando grandes autores. E, ao longo dos últimos cinco anos, a evolução tem sido constante. Percebemos, por exemplo, um grande crescimento de públicos como mulheres, negros e homossexuais. Além disso, publicamos 14 livros e lançamos nomes como Jessé Andarilho, Ana Paula Lisboa, hoje articulista do jornal O Globo, e Yasmin Tainá, criadora do filme Kbela. E, claro, a todo momento estamos repensando o nosso modelo e a nossa atuação. Em 2016, trouxemos a realidade virtual para dentro da Flupp para dialogar com temas como o racismo e a violência, e ainda fomos reconhecidos pelo Excellence Awards, conferido pela London Book Fair.

Quando começamos esse trabalho, ninguém acreditava que levaríamos literatura para os morros cariocas e, obviamente, isso só foi possível graças aos parceiros que acreditaram e construíram com a gente essa história. É o caso do Instituto C&A. Nossas primeiras conversas aconteceram ainda na fase de criação do projeto, quando a Flupp ainda era uma ideia. O apoio financeiro, técnico e as discussões que tivemos ao longo dos anos enriqueceram muito o projeto. Principalmente no que diz respeito à Flupp Parque, que é o nosso braço infanto-juvenil.

Em 2016, o aprendizado que veio com a parceira foi ainda maior. Ao produzirmos um documentário para registrar o que já havia sido feito na Flupp, revisitamos e repensamos nossa história e nosso futuro. Um trabalho que nos fortaleceu e nos deu mais confiança para seguirmos em frente.

Desde criança, eu ouvia que a poesia tinha morrido. Para mim, ela nunca esteve tão viva.

Valor investido na parceria em 2016:

R$ 0 mil

durante

0
meses

Valor investido na iniciativa desde 2012:

R$ 0 mil
Valor do apoio: R$ 4,6 milhões (3 anos)
7.3

Atuando
em rede

Paulo Leite

Pioneiro por sua metodologia e forma de atuação com os coletivos e instituições, o programa Redes e Alianças foi lançado em 2012 para potencializar as redes que atuam para promover, garantir e proteger os direitos das crianças e adolescentes. Abaixo, Cristiane compartilha conosco um pouco dessa história, o que incentivou a realização de uma avaliação externa do último ciclo do programa e quais os aprendizados reunidos a partir desse estudo.

Após uma análise de cenários em 2012, verificamos que não existia, no Brasil, um programa estruturado voltado para o apoio a redes de organizações sociais. Uma vez identificada essa lacuna, passamos um longo período desenhando a parte conceitual e técnica do programa Redes e Alianças do Instituto C&A. O escopo para o primeiro ciclo, que ia de 2013 a 2015, foi de apoio a iniciativas em rede que promovessem ações relacionadas ao direito à educação de crianças e adolescentes no País, tema foco do Instituto C&A até aquele momento. Após a conclusão desse período, entendemos que seria importante avaliar se os objetivos do programa foram alcançados. Para fazer esse trabalho, contratamos a empresa COMEA Avaliações Relevantes, por meio de um edital público internacional coordenado pela C&A Foundation.

Foram avaliados o impacto, a relevância, a eficiência, a efetividade e a sustentabilidade das ações desenvolvidas pelas oito redes apoiadas por nós. Procuramos também identificar aprendizados estratégicos para aplicar em nossos programas globais com foco na sustentabilidade da indústria da moda. Foi um trabalho extenso e colaborativo, no qual foram realizadas 233 entrevistas com atores-chave dos coletivos e das redes e revisados aproximadamente 250 documentos.

Os resultados foram animadores! O programa foi bem avaliado e a sua relevância atingiu o grau máximo na metodologia aplicada. Em outras palavras, as estratégias usadas pelo Redes e Alianças e pelas instituições apoiadas foram bem-sucedidas e o trabalho realizado foi considerado altamente relevante para as redes com as quais trabalhamos.

Uma das maiores lições que levaremos dessa iniciativa é a forma como atuamos e nos relacionamos para construir espaços produtivos de troca de conhecimento e intercâmbio entre os atores envolvidos nas redes. Fizemos encontros duas vezes ao ano para discutir temas, formar, capacitar e aprender com os representantes das oito redes. Essa vivência foi extremamente positiva! Foi nesses momentos que identificamos as necessidades reais das redes e, na maioria das vezes, as soluções foram encontradas ali mesmo, entre os participantes. Entendemos que, mais do que propor soluções, deveríamos valorizar nossa capacidade de escutar e impulsionar nossos parceiros a desenvolver seus potenciais e a buscar apoio e respostas na própria rede. Valer-se do princípio da colaboração pode ser muito poderoso e inspirador. Precisamos ser um ator de mediações, gerador de autonomia e ativador de potenciais. E isso é outro grande aprendizado. –

Valor investido no último ciclo do programa:

R$ 0,0
milhões

Paralapracá: por uma educação infantil de qualidade
Representantes de diferentes municípios que implementaram o Paralapracá nos explicam, de acordo com suas experiências, o que é o programa.